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A Estrada de Ferro Campos do Jordão foi idealizada pelos médicos sanitaristas Emilio Marcondes Ribas e Victor Godinho.
 
Em 28 de novembro de 1910 o Governo do Estado de São Paulo autorizou a construção da Estrada de Ferro Campos do Jordão, com concessão dos serviços para sessenta anos. A construção foi iniciada em 1912 e, em tempo recorde para a época, foi inaugurada em 15 de novembro de 1914. Nesse mesmo ano, a sociedade concessionária da EFCJ passou a apresentar dificuldades financeiras, em grande parte devido à eclosão da Primeira Guerra Mundial, que dificultou acesso a linhas de crédito para empréstimos e financiamentos. Os acionistas da ferrovia, por essa razão, autorizaram a encampação da Estrada de Ferro pelo Governo do Estado de São Paulo, o que foi efetivado em 1916.
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Automotriz a gasolina, frota original.
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Dr. Victor Godinho
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Dr. Emilio Ribas

Os primeiros trens que trafegaram na ferrovia eram a vapor, substituídos por trens a gasolina em 1916 e pelos elétricos, em 1924.

A estrada de ferro foi concebida como via de acesso aos sanatórios estabelecidos em Campos do Jordão, concebidos para contribuir na recuperação das vítimas de doenças pulmonares.

A partir de meados da primeira metade da década de 20, com o crescimento de Campos do Jordão, a ferrovia vai se consolidando como principal meio de acesso à região, atendendo às necessidades de seus moradores e visitantes, transportando não só passageiros, mas carga geral e também veículos, dada a precariedade das vias de acesso rodoviário que conectavam Pindamonhangaba ao alto da serra.

Outro importante papel que a EFCJ exerceu foi nas comunicações regionais, por meio da operação do serviço telefônico. Implantado em 1917, inicialmente ele era voltado para as necessidades do controle do tráfego, mas logo passou a atender também moradores dos municípios sob influência da ferrovia. Em 1959 foi adotado o serviço automático, atendendo os municípios de Campos do Jordão, S.Bento do Sapucaí, S.Antônio do Pinhal e ao distrito de Monteiro Lobato.

A EFCJ operou o serviço telefônico da região até novembro de 1971, quando este foi transferido ao governo do Estado de São Paulo, que passou a operá-lo por meio da Companhia de Telecomunicações do Estado de São Paulo.

Dada a excelência do clima de Campos do Jordão, já na década de 40 a cidade começa a se caracterizar também como local de recreação e turismo, graças à instalação de grandes hotéis com serviço de inspiração europeia. Também intelectuais e artistas adotam Campos do Jordão como local de longas temporadas, a exemplo do pintor Lasar Segall, que deixou diversos trabalhos inspirados nas belas paisagens e panoramas observados das montanhas locais. Confira aqui algumas das obras produzidas pelo pintor em suas temporadas em Campos do Jordão.

Retrato dessa época de transição da cidade é o belo romance “Floradas na Serra” de Dináh Silveira de Queiróz, transformado em 1954 em um dos mais importantes filmes da Companhia Cinematográfica Vera Cruz.

Nesse filme é possível observar uma pacata Campos do Jordão, cortada pelos trilhos da EFCJ, onde se passam algumas belas cenas do romance.

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Floradas na Serra

Cia. Cinematográfica Vera Cruz

1954 - P&B - 100 min

Produção/Direção: Luciano Salce

Roteiro: Fabio Carpi

Elenco original: Cacilda Becker, Jardel Filho,
Miro Cerni, Ilka Soares, Silvia Fernanda, Gilda Nery

Gênero: drama

A partir da década de 70, Campos do Jordão transforma-se de estação de cura para um dos mais importantes polos turísticos do país. E a EFCJ acompanha essas transformações, diversificando suas atividades com a implantação em 1970 do seu teleférico, o primeiro a entrar em operação no país, e dos parques de turismo, o Parque do Reino das Águas Claras e o de Capivari.

Até essa época, dada a precariedade das estradas de rodagem da região, a Estrada também transportava carga (material de construção, alimentos etc.), veículos de passeio e ônibus, transporte esse que foi desativado a partir de 1977, com a inauguração da nova rodovia de acesso a Campos do Jordão.

Atualmente, além dos trens de turismo, a ferrovia opera também um trem de subúrbio entre Pindamonhangaba e Piracuama, proporcionando deslocamento aos moradores de regiões ainda com precariedade de acessos rodoviários.

Categoria: História